Andrés Gómez fica fora, e Palmeiras encontra nova variável para explorar contra o Vasco
A ausência do colombiano não significa vantagem automática para o Palestra, mas oferece a Abel uma variável promissora para explorar na semifinal A ausênc...
A ausência do colombiano não significa vantagem automática para o Palestra, mas oferece a Abel uma variável promissora para explorar na semifinal
A ausência de Andrés Gómez na primeira semifinal da Copa do Brasil representa mais do que a perda de um atacante para o Vasco. O colombiano é uma das principais referências ofensivas da equipe de Pedro Emanuel e sua ausência obriga o adversário do Palmeiras a reorganizar uma peça importante de seu funcionamento. Para Abel Ferreira, a notícia abre uma possibilidade de explorar mudanças no comportamento ofensivo cruzmaltino, especialmente na velocidade pelos corredores e nas transições.
A dimensão dessa baixa aparece nos números. Segundo levantamento publicado pelo ge, Gómez soma oito gols na temporada, divide a artilharia do Vasco com Thiago Mendes e lidera o elenco em finalizações, com 114 tentativas. No Campeonato Brasileiro, são 72 finalizações e cinco gols, além de 26 dribles certos. O colombiano concentra volume de tentativas, capacidade individual de desequilíbrio e presença frequente nas ações que terminam em finalização.
O problema físico que o afastou da semifinal também ajuda a compreender a importância que o atacante adquiriu. Gómez vinha convivendo com dores no pé esquerdo havia semanas, chegou a atuar no sacrifício e deixou a partida contra o Corinthians ainda no primeiro tempo. Depois de perder o clássico contra o Flamengo, teve a ausência confirmada diante do Palestra. A sequência mostra que Pedro Emanuel não perde uma peça por opção técnica, mas um jogador que vinha sendo utilizado mesmo sem estar em suas melhores condições físicas.
A substituição, entretanto, não significa que o Vasco ficará necessariamente menos agressivo. Marino Hinestroza aparece como uma alternativa importante e tem argumentos para ocupar o espaço deixado pelo compatriota. Foi justamente ele quem entrou contra o Corinthians e marcou os dois gols que garantiram a vitória vascaína por 3 a 2. Além disso, o colombiano atravessa um momento de crescimento sob o comando de Pedro Emanuel, depois de enfrentar dificuldades para conquistar espaço na equipe.
Marino, uma cria Palestrina do outro lado do front
Há um componente particular nesse possível confronto: Marino conhece o ambiente palmeirense. O atacante passou pelas categorias de base do clube entre 2020 e 2021, treinou em algumas oportunidades com o elenco profissional de Abel Ferreira e chegou a ser relacionado para partidas da equipe principal. Anos depois, retorna ao caminho do Verdão em outra condição, agora como uma alternativa ofensiva do Vasco. Desta forma, a História não determina o que acontecerá em campo, mas acrescenta um elemento interessante à preparação palmeirense.
Do ponto de vista tático, a diferença entre Gómez e Marino merece atenção. O primeiro construiu sua participação na equipe com volume de finalizações, profundidade e capacidade de atacar espaços, enquanto o segundo também oferece drible e enfrentamento individual, podendo procurar mais o duelo direto contra o marcador. A questão para o Verdão será reconhecer de onde partirá a principal ameaça vascaína. Se a substituição modificar a forma de ocupação dos corredores, a referência para a marcação também precisará mudar.
Uma missão para Giay
É nesse cenário que Giay pode ganhar importância no planejamento de Abel. O lateral argentino terá de interpretar os movimentos de quem ocupar seu setor, sem abandonar a proteção às costas caso o Vasco consiga acelerar a jogada. Contra um atacante que procura o um contra um, a distância entre lateral e zagueiro torna-se decisiva. Uma cobertura atrasada pode transformar uma disputa aparentemente controlada em uma situação de superioridade para o time carioca.
Giay treina na Academia para encarar o Vasco pela Copa do Brasil – Foto: Cesar Greco/Palmeiras/by CanonA mudança também pode interferir na maneira como o Palmeiras escolhe pressionar. Sem uma de suas principais referências de profundidade, o Vasco perde uma alternativa importante para transformar uma recuperação de bola em ataque rápido. Isso pode oferecer ao time de Abel uma oportunidade para adiantar suas linhas e encurtar o espaço entre meio-campo e defesa, desde que consiga controlar a primeira saída adversária.
Outro ponto está na responsabilidade que passa a ser distribuída entre os demais jogadores do Vasco. Com Gómez fora, o time perde um atleta que acumulava finalizações e participações ofensivas em quantidade expressiva. Thiago Mendes, que também divide a artilharia da equipe na temporada, e os jogadores responsáveis pela construção precisarão encontrar outras maneiras de abastecer o ataque. A ausência pode concentrar mais ações em determinados nomes ou exigir maior participação dos laterais. Para o Palmeiras, identificar essa redistribuição será tão importante quanto acompanhar o substituto escolhido.
De olho do Vasco
O contexto da semifinal também exige que Abel observe a partida para além do nome confirmado na escalação. O Vasco chega ao confronto depois de uma sequência de decisões importantes, incluindo a eliminação na Sul-Americana e a necessidade de administrar o desgaste do elenco. A comissão técnica de Pedro Emanuel já precisou lidar com a condição física de Gómez antes de confirmar sua ausência. Nesse cenário, a reorganização ofensiva pode afetar não apenas o posicionamento inicial, mas também as alternativas disponíveis durante o jogo. O banco vascaíno, inclusive, passa a ter um papel relevante para compensar a perda.
Para o Verdaço, a notícia deve ser recebida como uma informação estratégica, não como uma vantagem antecipada. Gómez era um dos jogadores mais produtivos do Vasco em 2026, e os números demonstram o tamanho de sua participação no ataque. Mas Marino chega embalado por uma atuação decisiva e tem características próprias para incomodar a defesa alviverde. Abel ganha a oportunidade de preparar o time para um adversário com referências ofensivas diferentes, mas precisará impedir que a mudança se transforme em uma nova fonte de imprevisibilidade.